33,3% dos cargos de direção nas empresas deverão ser ocupados por mulheres até 2020

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33,3% dos cargos de direção nas empresas deverão ser ocupados por mulheres até 2020

33,3% dos cargos de direção nas empresas deverão ser ocupados por mulheres até 2020

De acordo com a 5.ª edição do estudo “Women in the boardroom: A global perspective” da Deloitte, em Portugal apenas 15% das mulheres estão no board das empresas do PSI 20 em Portugal A lei das quotas nas empresas, aprovada em 2017, tornou obrigatória a contratação de mais mulheres nas empresas públicas e nas empresas cotadas em bolsa como forma de promover a igualdade de género das organizações. Que impacto terá esta medida legislativa na economia portuguesa?

A nova lei das quotas de género aprovada estabelece que, a partir de 2018, as empresas públicas e as empresas cotadas em bolsa têm a obrigatoriedade de cumprir uma quota mínima de género nos conselhos de administração e nos órgãos de fiscalização e que até 2020 pelo menos 33,3% destes cargos sejam ocupados por mulheres. Uma medida aceleradora de um equilíbrio de género na liderança das organizações, por um período corretivo, até que se torne um processo justo e natural.

 

A somar a estas medidas positivas está também o anúncio feito hoje (08/03//2018) pela Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, na sua intervenção no Fórum TSF, dedicado ao Dia Internacional da Mulher,  afirmando que o Governo vai reforçar as quotas de género nas empresas e entre os titulares de cargos políticos, exigindo a presença de pelo menos 40% de mulheres nas suas lideranças. 

 

Mulheres representam pelo menos 25% dos membros do conselho da UE em 10 países

 

Só 15% dos lugares de direção nas empresas são ocupados por mulheres, revela o estudo “Women in the boardroom: A global perspective – 5th edition” 2017, publicado pela Deloitte, que abrangeu mais de 72 mil diretores, de 7 mil empresas em 64 países. Os números globais registaram um ligeiro aumento –  Nova Zelândia (10%), Bélgica (9%), Suécia (7%),  Canadá (5%), Itália, Noruega, Austrália e Reino Unido (3%). 

 

O estudo revela ainda que existe uma correlação entre a direção das empresas e os membros dos boards. Por exemplo, uma empresa com uma mulher na direção tem o dobro de mulheres nos boards quando comparado com um homem na presidência  (28.5% vs. 15.5% respetivamente).

 

A proporção média de mulheres em cargos de direção nas maiores empresas listadas na Europa atingiu 23%, em abril de 2016, de acordo com a European Commission’s Women in Economic Decision Making Database, o que representa um aumento de 2,8% em relação a outubro de 2014.

 

Os maiores ganhos registaram-se na Suécia (8%), Itália (6%), Bélgica, República Checa, Irlanda, França, Polónia e Portugal (5%). No caso de Portugal, das 47 empresas analisadas, apenas 14,9% das mulheres estão nos boards das empresas do PSI 20 e só 5,3% ocupam a posição de chairman das organizações do PSI 20.

 

Ainda que a lei das quotas recentemente aprovada em Portugal não se encontre num nível ideal”, “as propostas em discussão revelam que o caminho está seguramente a ser trilhado, quebrando o paradigma estabelecido quanto ao papel da mulher no mundo laboral” e que demonstram que o país “tem abordado ativamente a questão da desigualdade de género, sublinha a PWN Lisbon.

 

De acordo com o relatório da Deloitte, com dados referentes a abril de 2016, havia apenas 10 países na União Europeia onde as mulheres representavam pelo menos 25% dos membros do conselho  -  França (37%)  e Suécia (36%)  estavam mais próximos do objetivo de 40% estabelecido pela diretiva europeia. A proporção de mulheres nos comités de direção de toda a UE ainda é um número muito baixo (7%) apesar de a taxa ser mais do dobro desde outubro de 2011, quando era inferior a 3%.

 

Mais de 60 empresas portuguesas promovem boas práticas de igualdade de género

 

Ainda que Portugal esteja aquém da igualdade de género no mercado laboral, seja em termos de representação nas empresas, seja em matéria salarial, em Portugal são várias as empresas que já adotam boas práticas para promover essa igualdade de género.

 

O iGen, fórum das empresas e organizações para a igualdade fundado em 2014 por 21 empresas na sua génese, tem atualmente mais de 60 entidades representadas, entre as quais as Águas de Portugal, Media em movimento, Millennium BCP, Agência Lusa, Nokia, LIKEBrands e Trivalor que se juntaram em 2017. No iGen as empresas comprometem-se a realizar ações de promoção para a igualdade de género, com vista à melhoria dos princípios de igualdade e não discriminação entre homens e mulheres no emprego, a aplicar normas de conciliação da vida familiar, pessoal e profissional e a tomar medidas de proteção à parentalidade. Têm ainda a obrigatoriedade de apresentar anualmente os resultados da implementação das medidas em curso e apresentar novas propostas no âmbito desta estratégia.

 

A PWN Lisbon, organização que integra a PWN Global, ONG com a qual partilha a missão de promover o progresso da carreira profissional sustentável das mulheres em todas as suas etapas,  acredita que o primeiro passo para combater a desigualdade de género no trabalho passa pela educação da sociedade civil e, no contexto corporativo, deverão ser implementadas políticas que, por um lado, permitam desconstruir certos preconceitos quanto a cargos de liderança, como o facto de serem cargos tipicamente associados a homens e caraterísticas masculinas e, por outro lado, introduzam maior transparência na evolução das carreiras, através de planos de carreira detalhados, acompanhadas por um reforço de networking – especialmente para cargos de topo. Estas medidas deverão ser acessórias e idealmente operacionalizar outras medidas como a implementação de quotas e de informação de diferenças salariais, conclui a organização.