Como é que a ciência nos pode ajudar a aprender mais e melhor?

Formulário de pesquisa

Como é que a ciência nos pode ajudar a aprender mais e melhor?

Como é que a ciência nos pode ajudar a aprender mais e melhor?

O paradigma da educação está a mudar e as escolas de negócio têm de adotar novas metodologias de aprendizagem, adaptadas às necessidades de mercado, das empresas e à disrupção tecnológica. A neurociência fornece pistas importantes para melhorar a experiência de aprendizagem.

Como está a neurociência relacionada com a gestão? Muito mais do que à partida pode parecer. Porquê? Porque se percebermos como o cérebro reage a certos estímulos, conseguimos saber como é que podemos aprender mais e melhor. Falamos da 'neuroscience of learning’ - a forma como o nosso cérebro pode ser estimulado de forma a que consigamos atingir melhores níveis de aprendizagem, tirando partido das características de neuroplasticidade (a capacidade de mudar em resposta a estímulos) e neurogénese (a capacidade de produzir novos neurónios) do cérebro. 

 

“Quando aprendemos uma coisa nova há uma sinapse no cérebro, há neurónios que ligam uns com os outros, há luzinhas que se acendem, e o cérebro fica diferente do ponto de vista morfológico e fisiológico”, explica Paula Marques, diretora de Educação Executiva da Porto Business School, acrescentando: “Por isso, questionámo-nos: como é que conseguimos que as nossas metodologias tenham maior impacto? Se foram baseadas na ciência, maior probabilidade temos para que corram bem”, afirma.

 

Se quando aprendemos uma coisa nova o nosso cérebro transforma-se, fisicamente, então que experiências é que podemos criar para melhorar os níveis de aprendizagem? A neurociência dá algumas pistas. “Nós sabemos hoje que se envolvermos vários sentidos no processo de aprendizagem, aprendemos mais. (…) Aprendemos quando nos emocionamos, quando temos curiosidade - o coeficiente de curiosidade é muito importante - por isso temos de criar curiosidade nas pessoas, dar-lhes motivação. Aprendemos quando nos focamos, quando focamos a nossa atenção. Por isso, quantos mais sentidos eu envolver no meu processo de aprendizagem, maiores as probabilidades de gravar a experiência na minha memória de longo prazo, porque estamos a trabalhar as emoções”, analisa Paula Marques.

 

Porque hoje sabemos que, ao contrário do que até então julgávamos, o cérebro tem capacidade para se regenerar e que só paramos de aprender quando morremos. Se é certo que as experiências ao longo da vida têm impacto em nós e que o contexto importa, a ciência pode ajudar a melhorar o impacto e a eficácia da aprendizagem, que envolve várias regiões do cérebro, associadas aos sentidos, à memória ou às emoções.

 

Consciente de que este pode ser um dos caminhos de futuro no sentido de adaptar as metodologias de aprendizagem às necessidades de mercado, das empresas e da disrupção tecnológica que vai mudar a forma como trabalhamos e como vivemos, a Porto Business School está a adotar os ensinamentos da ciência para adaptá-los às metodologias de aprendizagem, seja em sala de aula, nos programas de formação, nos programas à medida ou nas atividades no exterior.

 

O paradigma da educação também está a mudar, e naturalmente, o papel tradicional do professor também será diferente. No futuro o professor será menos um 'teller' e cada vez mais um 'enabler', um facilitador de aprendizagem, alguém que não dá apenas uma resposta, uma solução, mas antes ajuda a "abrir caminhos, abrir a mente, ajudar a pensar na melhor solução”, continua Paula Marques.

 

O grande desafio atual, acredita a responsável, é “o self learning” e o crescimento da autonomia de cada um no processo ensino-aprendizagem. “Na nossa área estamos a trabalhar com adultos. No presente, ainda estamos no campo da andragogia (o professor define o que aprender e ao aluno como aprender),  mas estamos a caminhar para um  para um next step, o campo da heutagogia (o professor é um facilitador do processo educacional e o aluno tem o seu próprio método de procura do conhecimento). Chamamos a isto um double deep learning, mais do que ensinarmos um conteúdo a um adulto, é ensinar a um adulto como é que ele aprende”, analisa a responsável pela área de formação para executivos da Porto Business School.

 

As mudanças no mercado trazem também novas formas de aprendizagem, que devem adaptar-se às exigências de futuro. “Não vamos ter o mesmo emprego durante toda a vida, e aqui surge o conceito de ‘Gig Economy’ (trabalho qualificado, especializado e bem pago). Isto vai fazer com que se valorizem as microespecializações, de acordo com as necessidades que vão surgindo. Por isso as pessoas já não vão querer tanto o "diploma",  as pessoas vão querer é aprender e aprender em ‘small caps’, através de pequenas experiências. ”, conclui Paula Marques.