A fórmula química da felicidade

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A fórmula química da felicidade

A fórmula química da felicidade

A ciência pode (e muito) contribuir para sermos felizes. Manuela Grazina é neurocientista e tem dedicado a sua investigação a estudar o comportamento do cérebro, como as emoções são desencadeadas e como este conhecimento pode ajudar a tornarmo-nos pessoas mais felizes. A diretora do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra esteve recentemente na Porto Business School e explicou-nos como podemos treinar o nosso cérebro e ser mais felizes. 

Mas, afinal, porque é que todos procuram a felicidade? Porque é que toda a gente quer ser feliz? Estas foram as questões que levaram Manuela Grazina, neurocientista, a estudar o comportamento do cérebro e tentar descobrir a Ciência por detrás da felicidade.

 

A felicidade é desencadeada por um processo biológico a que está associada a libertação de quatro substâncias químicas naturais - o chamado "quarteto da felicidade": endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina. Quando o cérebro liberta estas substâncias químicas naturais, há uma sensação de bem estar. Mas cada uma destas substâncias tem a sua função e é "ligada e desligada" de acordo com os estímulos. Por essa razão, “não podemos falar de felicidade, sem falar do mecanismo de recompensa, que ajuda a perceber, por exemplo, porque é que as pessoas felizes trabalham melhor e porque é que a sensação de recompensa e de felicidade é maior quando nos focamos em proporcionar bem-estar aos outros”, analisa Manuela Grazina, a oradora convidada para o seminário “Descodificar o cérebro emocional: ler as emoções e treinar a felicidade”, realizado no âmbito da Pós-Graduação em Gestão de Vendas.

 

E como é que funciona o cérebro emocional? "De forma mais célere, como que por impulso", responde. "Por exemplo, quando vemos uns sapatos numa montra e temos o impulso de os comprar porque sabemos que isso nos vai dar prazer. E quando há um estímulo que nos faz sentir prazer e bem-estar, há uma libertação de substâncias químicas no cérebro, sendo a dopamina a principal. (...) E o cérebro funciona tão bem que quando acontece essa libertação de dopamina, existe uma comunicação da área pré-frontal do cérebro,que é onde está o nosso centro de decisões, que impede que tenhamos um excesso de libertação de dopamina. E é essa forma do cérebro comunicar internamente para a área pré-frontal que nos protege de ficarmos psicóticos, e também de termos esse excesso de adrenalina, que pode colocar em perigo o coração”, explica Manuela Grazina.

 

Nos ultimos 10 anos, os avanços da Ciência já nos permitiram descobrir muito sobre a forma como o cérebro funciona, mas há ainda muito por descobrir. No que toca àquilo que nos proporciona felicidade e bem-estar, estão a ser dados passos importantes. É por esta razão que Manuela Grazina persegue o objetivo de compreender o comportamento do cérebro para sermos mais felizes. E justifica a razão desta demanda - "A ciência só faz sentido se trouxer benefício para a vida das pessoas, e não ficar só nos laboratórios das universidades”.

 

Atualmente, Manuela Grazina dirige o Laboratório de Bioquímica Genética no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, onde está a desenvolver uma investigação farmacogenómica para perceber de que forma o perfil genético está relacionado com a adição de substâncias. Segundo a neurocientista, esta investigação pode ajudar a perceber, por um lado, “quais são as alterações metabólicas decorrentes dos consumos, e por outro lado, se há variantes genéticas específicas que estão relacionadas com o maior perigo de desenvolver alterações psicóticas”. A investigação ainda está numa fase piloto mas, no futuro, pode ser alargada e reproduzida noutros grupos de investigação. Como complemento da sua investigação, e no âmbito de um programa de voluntariado em que participa desde 2005, a investigadora percorre as escolas do país para sensibilizar os jovens para os efeitos do consumo de álcool e drogas no cérebro, com o objetivo de “semear conhecimento que possa salvar vidas”.