"Há uma onda geral de empreendedorismo que deve ser bem aproveitada. O futuro parte por aí."

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"Há uma onda geral de empreendedorismo que deve ser bem aproveitada. O futuro parte por aí."

"Há uma onda geral de empreendedorismo que deve ser bem aproveitada. O futuro parte por aí."

Os fundos de investimento começam a aumentar em Portugal e tudo indica que o seu crescimento será contínuo nos próximos anos. Mas como manter o investimento sustentável e atrativo? Quais os novos players? Que novas oportunidades se afigura? E quais os desafios neste novo contexto? Para analisar o contexto e discutir os vários cenários que existem no futuro a Porto Business School e a Yoda Ventures promoveram a conferência "New Players. New Opportunities. New Challenges", no passado dia 27. Um encontro que reuniu business angels, venture capitalists e investidores com um objetivo - discutir a importância do capital de risco num momento de grande mudança em Portugal.

Para desenvolver um produto, um serviço, ou criar uma empresa é necessário investimento. Isso implica que haja financiamento [público ou privado] que viabilize ideias e negócios, que permita o seu desenvolvimento e a sua sustentabilidade. Em Portugal, os fundos de investimento privado começam a crescer com o apoio do Estado, que olha para este setor como fundamental para o desenvolvimento das empresas e na consequente melhoria da economia nacional. A título de exemplo, o IFD – Instituição Financeira de Desenvolvimento - vai disponibilizar cerca de € 220 milhões a 25 entidades gestoras de Fundos de Capital de Risco, para serem investidos em áreas tão distintas como as da Indústria 4.0, Biotecnologia e Farmacêutica, Eficiência Energética, Novos Materiais ou Indústrias Criativas. E os especialistas do setor acreditam estarem criadas as condições favoráveis para "fazer acontecer". 

 

New Players

 

No painel dedicado ao tema dos novos players no mercado, que contou com a presença de Carlos Trenchs, da CaixaBanc, Paulo Pinho, da Semeia Ventures, João Arantes e Oliveira da H Capital e com a moderação de Ricardo Luz, do IFD, debateu-se o estado atual do mercado e das empresas portuguesas, a entrada no mercado de novas empresas que gerem fundos de capital de risco e os seus benefícios.

 

João Arantes e Oliveira (H Capital) considera muito positiva a entrada de novos players no mercado: “a massa crítica é algo necessário no mercado para que este evolua e é relevante para as empresas. Não devemos ter receio da competição, é uma coisa natural e positiva, que traz mais alternativas e aumenta os níveis de exigência e de êxito”. Já Carlos Trenchs, da CaixaBank  – que entrou recentemente no mercado português - confessa ainda estar “a aprender e a conhecer os players da indústria" E afirma "a minha visão é a de que Portugal tem potencial, mas é necessário que os investidores internacionais conheçam as empresas locais e tenham confiança nestas. Penso que estamos no bom caminho. Mas precisamos de mais start-ups, capazes de cobrir os fundos existentes”.

 

"O investimento está a crescer!", afirma Paulo Pinho, da Semeia Ventures. “Há uma propensão muito grande para o investimento, atualmente. Nós já temos empresas internacionais que nos procuram pela qualidade e pelo know-how. O mercado está a evoluir ”. Também João Arantes e Oliveira partilha desta visão, acreditando que “há oportunidades no mercado e que por essa razão podem criar-se novos fundos para empresas que já começam a entrar num estado de maior maturidade. Há entidades estrangeiras que têm demonstrado interesse em investir em Portugal, que estão atentas ao que se passa em termos de inovação. Não é preciso ter só mais dinheiro. É preciso sabermos posicionar-nos no mercado e apostar na especialização”.

 

Sobre o presente e o futuro, João Arantes e Oliveira vê o hoje "como uma espécie de sementeira". Espero que se aproveitem os fundos existentes e os que aí vêm. É preciso projetar o futuro e ter capacidade para obter novos fundos”. Já para Paulo Pinho “o desafio é a internacionalização. Os players têm de investir em parcerias e no co-investimento. As empresas não podem ficar apenas por Portugal”. A finalizar, Carlos Trenchs, ainda em fase de conhecimento do mercado português, salienta que, “com talento, investimento, ambição e cooperação não faltam oportunidades”.

 

 

New Opportunities

 

No segundo painel, do qual faziam parte Gonçalo Andrade, da Hovione Capital, João Matos, da 2BPartner, João Amaro da Inter-Risco e Jorge Brás, da Pathena, na qualidade de moderador discutiram-se as "Novas Oportunidades" que o futuro reserva para o setor. Gonçalo Andrade crê que “as maiores oportunidades para o investimento, e onde se encontra mais valor, é no setor farmacêutico. Há uma onda geral de empreendedorismo que deve ser bem aproveitada. O futuro parte por aí”. Já João Matos acredita que o futuro poderá passar mais por áreas como as da energia e a sustentabilidade. "O ecossistema está hoje mais complexo e com muitos players e isso é positivo para os empreendedores”, considera. João Amaro, da Inter-Risco, é mais cético e defende que, para existirem oportunidades, é necessário injetar capital e afirma "estamos numa fase inicial e ainda não há grande financiamento para esta área”.

 

Sobre a importância do digital como "a grande oportunidade", e se será uma área onde se focará grande parte do investimento, João Amaro defende: “o digital faz parte da nossa vida, na interação entre todos nós. Não me parece que vá causar grandes problemas. É, sim, uma oportunidade." Uma ideia partilhada por João Matos, que refere que “há uma integração que acaba por ser inevitável. O digital traz dinâmica e mais atratividade aos produtos”.

 

Quando questionados sobre o tema da Internacionalização todos parecem estar alinhados, com Gonçalo Andrade a afirmar que a ligação com investidores internacionais é fundamental e que o investimento internacional é incontornável. Mas também existem regras que devem ser respeitadas porque fundos privados e fundos públicos são coisas distintas.  "Há que dosear o entusiasmo com o investimento internacional, porque nem sempre a experiencia é positiva, por isso é importante que haja equilíbrio”, remata João Matos, enquanto João Amaro alerta: “posso ter o melhor negócio do mundo, mas se não vender ninguém o compra. Há que analisar bem as coisas e aqui as pessoas são importantes. Há que saber criar boas equipas - algo crítico para que a internacionalização corra bem”.

 

Sobre o porquê de não haver mais investimento privado, a opinião é unânime - “Os nossos empresários ainda preferem conduzir o seu próprio negócio e não estão habituados apenas a acompanhar ou a mentorar”, refere João Matos.  Já João Amaro vai mais longe e realça -  “nós temos uma educação financeira pobre. Temos de tocar na ferida. Há que começar pelos jovens, para que se mudem mentalidades”.

 

Relativamente aos fatores críticos para o sucesso no mundo dos fundos de investimentos, Gonçalo Andrade refere que “a propriedade intelectual e as oportunidades de mercado” são essenciais, enquanto que João Matos defende “as pessoas e a qualidade dos projetos”. João Amaro confirma - “as pessoas são críticas para levar avante um projeto. E Portugal ainda tem um caminho longo a percorrer para atingir a consolidação nesta área e ganhar notoriedade”, remata.

 

 

New Challenges

 

No fecho do último painel da Conferência identificaram-se alguns dos desafios que o setor do capital de risco pode ter pela frente e quais os cenários de futuro. 

Para Duarte Mineiro, da Armilar Venture Partners, “está a fazer-se muita coisa boa e estou muito otimista", mas afirma que ainda há muito por fazer ao nível do conhecimento e da inovação , em Portugal e no sul da Europa; referindo a importância de saber dinamizar. "Algo que acredito saberemos fazer”, refere. Alexandre Teixeira dos Santos , da Sonae IM acrescenta, “É necessário criar condições culturais, desenvolver o talento e qualificar as pessoas". 

 

O grande desafio é a angariação de capital. Por isso a questão central do painel foi colocada pelo moderador do painel, Hugo Gonçalves Pereira, da Shilling Partners. “Como se atrai capital se o retorno, na Europa, é praticamente nulo? 

 

Alexandre Teixeira dos Santos defende que o profissionalismo é essencial e que é necessário que os investidores percebam que “esta é uma atividade de longa duração. É preciso que as empresas atinjam a maturidade para haver retorno, e isso leva sete a dez anos, em muitos casos". É necessário, por isso, mapear as várias áreas que existem e seguir a via da especialização. "É o caminho a seguir”, defende David Malta, da Vesalius Biocap. Tem havido um conjunto de acontecimentos, nos últimos anos que está a "criar o cimento para o futuro e a trazer mais investimento”, refere Duarte Mineiro. " Para se conseguirem fundos e angariar capital para investir temos de mostrar serviço, trabalhar bem e esperar. Depois vem o retorno.", afirma.  É necessário não olhar apenas para o valor investido, mas também para o valor que é criado. Alexandre Teixeira dos Santos defende "para sermos mais competitivos, no futuro, temos de saber onde apostar, hoje”.

 

Quanto aos desafios mais críticos para os próximos anos,  David Malta defende que será uma questão de organização. "O mercado do norte da Europa está mais maduro. O mercado do sul é interessante, tem potencial, mas está muito desorganizado”. Para Alexandre Teixeira dos Santos os desafios críticos dos próximos anos passarão pela captação de investimento estrangeiro, pelo desenvolvimento de talentos, pela capacidade de desenvolver pessoas que consigam potenciar e mesmo reinventar projetos, se for o caso”.  Já Duarte Mineiro afirma "É preciso “criar boas condições para investir. O desafio para o ecossistema é pôr [mais] dinheiro nas mãos certas”.