“Ser empreendedor é saber arriscar”

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“Ser empreendedor é saber arriscar”

“Ser empreendedor é saber arriscar”

Vencedora do prémio Everis 2016 e do prémio Jovem Empreendedor 2015, pela ANJE, a Exogenus Therapeutics é um exemplo de empreendedorismo. A atuar na área da biotecnologia, a Exogenus Therapeutics dedica-se ao desenvolvimento pré-clínico e clínico de terapias inovadoras na área da medicina regenerativa, especialmente para tratamento de lesões da pele. Luísa Marques, uma das fundadoras e antiga aluna do MBA Executivo da Porto Business School, falou-nos do projeto e de como a sua passagem pela escola influenciou o seu percurso.

Em que contexto surgiu a Exogenus Therapeutics (Exo-T)?

[LM] A empresa surgiu no contexto da participação no programa COHiTEC, em que participei enquanto aluna do MBA Executivo da Porto Business School, e onde me juntei a um grupo de investigadores da Universidade de Coimbra com o intuito de explorar uma tecnologia e estudar potenciais aplicações dessa mesma tecnologia no mercado.

Na altura o projeto conseguiu obter 100 mil euros de financiamento da Caixa Capital, o que o tornou uma realidade e permitiu criar a empresaIsso e o desejo dos investigadores trazerem a Inovação para o mundo económico.

 

No final de 2015 a Exogenus já tinha captado mais de 800 mil euros. O objetivo da Luísa materializou-se…

[LM] Sim. Para mim o grande objetivo de fazer o programa [Cohitec] era aprender a metodologia e levá-la até ao mercado. Eu sempre trabalhei em desenvolvimento de produto e de negócio em várias áreas. Mas nunca tinha trabalhado com tecnologias de ponta e nunca tinha trabalhado na fase inicial, em que é uma tecnologia e não um produto e nem sequer se sabe bem qual a possível aplicação que pode ter. O meu desejo íntimo, na altura, foi que este projeto se pudesse materializar e vir a tornar-se empresa.

Tive a sorte dos investigadores o levarem para a frente, receberem o financiamento e quererem materializá-lo em projeto empresarial. Desde então que continuo a acompanhá-los e tornei-me responsável de operações.

 

E desde então tem-se dedicado exclusivamente à Exo-T?

[LM] Não. Como isto é um projeto de biotecnologia ainda há muito trabalho de laboratório e a minha função ainda não é uma peça principal - apesar de a minha participação ser importante, não estou a tempo inteiro. Tenho-me dedicado a uma atividade independente enquanto consultora de projetos nesta área ou de PMEs na área do marketing. E de momento estou a colaborar em duas Startups . Curiosamente, uma delas também nasceu a partir de um MBA da Porto Business School e cujo contacto surgiu através da rede Porto Business School. No fundo, divido-me enquanto recurso de gestão entre dois projetos.

 

Apesar de já ter nome o Exo-Wound ainda não existe como produto final. Porquê?

[LM] Isto é uma nova terapia a ser aplicada em humanos e ainda estamos na fase pré clinica. O produto final ainda não existe. Estamos a formulá-lo. A próxima fase será fazer ensaios em animais, que são os que antecedem os ensaios humanos e, se tudo correr bem, começaríamos os ensaios clínicos em humanos em 2019.

 

E para quando está prevista a entrada do produto no mercado?

[LM] Eventualmente, e de acordo com as nossas perspetivas, será em 2024. Normalmente, nesta área, o desenvolvimento do produto varia entre sete e dez anos porque existem muitas regras e regulamentação. O passo seguinte - procurar uma farmacêutica no mercado, porque nós mesmos não temos as capacidades de uma farmacêutica aos níveis de distribuição. Temos capacidade para testar a sua eficácia e a sua segurança. Já as farmacêuticas têm a capacidade para o licenciar e colocar no mercado.

 

A experiência na Porto Business School contribuiu para este processo?

[LM] O MBA Executivo forneceu-me ferramentas e conhecimentos que me abriram algumas portas. (...)

A minha grande motivação, ao fazer o MBA prendia-se com o facto de ter estado muitos anos fora do País e ter sentido necessidade de voltar a entrar no mercado e de criar uma rede de contatos aqui no Porto (até porque sou de Lisboa). Além disso, como sempre trabalhei em ambientes muito corporativos, o meu desejo era o de mudar e trabalhar numa empresa mais pequena, eventualmente umaStartup. Também porque tinha o bichinho do empreendedorismo. O MBA serviu como veículo para várias dessas coisas. Os meus objetivos prendiam-se com a exploração de várias possibilidades mas, acima de tudo, com o desejo de mudar de vida.

Em linha com esses objetivos que tracei, o MBA faz-me sentir mais confiante em várias áreas que também são aplicáveis no empreendedorismo. Numa empresa pequena, quando temos de nos dedicar a áreas como a área financeira, gestão de recursos humanos ou operações o MBA tem realmente impacto.

 

Que conselhos deixa a quem pretenda criar o seu próprio negócio?

[LM] [...] Aproveitar as oportunidades e arriscar. É claramente um dos conselhos: arriscar.

O MBA, e mesmo o pós-MBA, com as ferramentas que nos dão e tendo a oportunidade é um ótimo momento para testar. Acho que ficamos com uma ideia de negócio e tecnologia que podemos explorar e tentar ver se é viável e colocá-la em prática. Ao mesmo tempo, usar as ferramentas, as skills, até os ecossistemas e os contactos que a escola dá, seja de professores, alunos ou outras instituições são uma mais-valia. Podemos aproveitar aquele momento [o MBA] para sair um pouco mais do ambiente corporativo e arriscar...

É preciso ser um pouco sonhador, ter alguma ambição para querer fazer alguma coisa diferente, que eventualmente melhore um pouco o mundo. Ser empreendedor, mas ao mesmo tempo ser realista e saber aproveitar as ferramentas para validar a ideia junto dos clientes e dos mercados. E financeiramente ter um bom plano de negócios.